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Economia  |  Comércio Exterior  | Atualizado Terça-feira, 04/03/2008 às 19h50

Crise americana pode beneficiar exportadores brasileiros

Avaliação é de executivo de entidade que atua na promoção de intercâmbio entre os dois países. Jefferson Michaelis dará palestra nesta quarta-feira na Acim

Luiz de Carvalho
carvalho@odiariomaringa.com.br

A possibilidade de os Estados Unidos passarem este ano mergulhados em uma crise econômica poderá ser vantajosa para as exportações de produtos brasileiros.

A opinião é do presidente da Brazil-Tampa Bay Chamber of Commerce (BTCC), Jefferson Michaelis. Segundo ele, é justamente nesses momentos de ameaça de instabilidade que as empresas norte-americanas vão mais a fundo em busca de opções e o Brasil poderá tirar proveito disso.

Michaelis mora há 12 anos nos EUA e atua na promoção de intercâmbio entre o Brasil e os Estados Unidos, estimulando o aumento do comércio entre os dois países e a internacionalização das empresas brasileiras e americanas.

Ele estará em Maringá nesta quarta-feira para ministrar o curso “Como atuar no maior mercado comprador do Brasil”, promovido pelo Instituto Mercosul em parceria com a Associação Comercial e Empresarial (Acim).

Aspectos básicos de importação e exportação e as melhores práticas para atuar na maior potência econômica mundial serão abordados no encontro com empresários de Maringá e região, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 15h30, no auditório da Acim, localizado na Rua Basília Saltchuck, entre Néo Alves Martins e Santos Dumont, área central da cidade.

A crise na economia americana é assunto corrente em outros países, mas nos EUA ela ainda não é levada a sério.

“Em dezembro, quando se comentava que a crise havia chegado ao ápice, o comércio teve vendas de Natal excelentes. Já no começo do mês alguns brinquedos e artigos para presentes não eram mais encontrados nas lojas”, diz o presidente da BTCC, que é também diretor da Florida International Business School.

“Se antes o americano gastava 10 dólares para comprar um produto, agora ele quer o mesmo produto, mas por um preço menor”, exemplifica Michaelis. “É neste momento que o brasileiro deve tirar vantagem, usando criatividade para oferecer novas opções ao público americano.”

Boicote aos chineses

Outro fator que poderá ser aproveitado pelo Brasil é o movimento que está se iniciando em alguns Estados americanos para boicotar produtos fabricados na China.

“Se esse boicote for levado em frente, o Brasil deverá ser o maior beneficiado, pois já é um dos maiores parceiros dos EUA e seus produtos são bem aceitos”, analisa Michaelis.

O Brasil vem aumentando nos últimos anos suas exportações de soja e milho para os Estados Unidos e a tendência de crescimento deve continuar nos próximos anos, segundo previsão do diretor da Brazil-Tampa.

A procura pelo milho brasileiro deve crescer acima da dos demais grãos, já que o país vai precisar do máximo possível do grão para expandir sua produção de etanol.

Hoje os norte-americanos são os maiores produtores de etanol do mundo, só que, diferente do Brasil, que fabrica o etanol a partir da cana, eles preferem o de milho.

O presidente da Brazil-Tampa Bay Chamber of Commerce estará em Maringá nesta quarta-feira para dar continuidade ao programa de treinamento e reciclagem internacional, pelo Instituto Mercosul e Associação Comercial (Acim).

O curso foi iniciado há três anos e, a cada vinda ao Brasil, Michaelis traz empresários americanos para conversar com representantes de diferentes setores da economia maringaense na esperança de iniciar algum negócio.

Novidades

Desta vez, Michaelis estará acompanhado por dois empresários americanos interessados em firmar parcerias na região para comercializar seus produtos ou levar produtos daqui para comercializar na América.

Ele traz também propostas de empresas interessadas em prestação de serviços, de comercialização de softwares (“o software brasileiro é muito bem aceito pelos americanos”) e de representação de qualquer tipo de “novidade” produzida na região, mas que não seja comum em terras americanas.

Ele falará também por empresas interessadas em conseguir representantes para seus produtos nesta região, que vão desde um novo tipo de polidor de vidros, artigos de plástico, até bebidas nutricionais. Michaelis espera também entabular negócios na área de biocombustíveis.