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Entidade trata de 50 jovens
O Evangelho e a disciplina são usados, há sete anos, pela entidade assistencial Soberana Graça para tratar dependentes químicos. Nesse período, 1,6 mil crianças e adolescentes já passaram por sua sede, em Santa Bárbara d’Oeste. Hoje, são 20 crianças e 30 adolescentes que estão em fase de recuperação, graças ao trabalho de 11 voluntários

 BOA AçÃO
Entidade recupera usando Evangelho
Soberana Graça tenta tirar 50 pessoas do mundo das drogas num trabalho que exige paciência e dedicação

O Evangelho e a disciplina são usados, há sete anos, pela entidade assistencial Soberana Graça para tratar dependentes químicos. Nesse período, 1,6 mil jovens, entre crianças e adolescentes, já passaram por sua sede, na Rua José Bonifácio, 695, Centro de Santa Bárbara d’Oeste. Crianças de seis e jovens até 22 anos são levados pelos conselhos tutelares da Região (Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Paulínia, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré) por familiares e, em alguns casos, por iniciativa da própria pessoa. Hoje são 20 crianças e 30 adolescentes que estão em fase de recuperação, graças ao trabalho de 11 voluntários, a colaboração da prefeitura e do fórum da cidade, e doações captadas pelo telemarketing (19) 3458-8609.
  A professora de Ensino Fundamental, Therezinha Sbravatti, uma das fundadoras da Soberana Graça, explica que não existe ligação com nenhuma instituição religiosa. “Utilizamos a leitura do evangelho para despertar o ânimo desses jovens, com problemas de dependência química e com famílias desestruturadas, procurando libertá-los dos valores errados que fatalmente os levarão à prisão ou à morte”, define a professora.
  Residindo na instituição, os internos aprendem a cuidar de suas próprias coisas e a seguir horários, mas ninguém é obrigado a permanecer no lugar à força. “Temos casos de reincidência, mas o saldo é gratificante”, declara Therezinha.
  Na rotina dos jovens, consta leituras bíblicas, aulas de matemática, conhecimentos gerais, palestras elucidativas sobre drogas e higiene e atividades manuais. Existe uma oficina de artesanato e até um conjunto musical foi formado, com bateria, guitarra, violão e teclado, cujo aprendizado foi todo feito pelos próprios internos. “Nossa intenção é prepará-los para o retorno à sociedade”, disse Therezinha. Ela também informou que 90% dos casos não estão relacionados à dificuldades econômicas, mas a problemas da própria existência.
  Na recuperação dos jovens, a paciência é o único remédio, pois não são usados medicamentos. O posto de saúde da cidade é utilizado para um acompanhamento médico de rotina. A dentista, Luciana Pires, e a oftalmologista, Élcio Folco, fazem um trabalho preventivo, de maneira voluntária.
  Mesmo com a colaboração da empresa Serv-cont na parte burocrática, ultimamente não tem sido fácil completar, todo mês, os R$ 4 mil necessários para fazer sanar as despesas com alimentação, material de limpeza e aluguel da sede. “O que nos dá força são as histórias de recuperação”, relembra Therezinha.
  Um alcoólatra, viciado desde os 15 anos de idade, chegou pelas mãos de um irmão, depois de perder a mulher, comprometer seu organismo e estar desacreditado pelo resto da família. Após um ano na Soberana Graça voltou a trabalhar na sua profissão, tecelão, e já busca uma reconciliação com a esposa
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Depoimentos servem como estímulo
Um dos métodos que a Soberana Graça utiliza nas suas palestras é o depoimento dos que já saíram da dependência ou resolveram seus conflitos com familiares. D.M.M.V., 23, entrou na instituição em maio deste ano. Ele conheceu o vício das drogas aos 12. Começou com as mais fracas até perder o controle. Por várias vezes tentou sair sozinho deste caminho, mas acabava retornando, e pior. É casado há quatro anos, tem um filho da mesma idade, e nos últimos meses, sem emprego, passava mais tempo na rua do que em casa.
  V. afirma que “tudo na vida tem suas regras”. Aprendeu, dentro da instituição, a valorizar as pequenas coisas da vida, a cumprir a rotina diária e a ter disciplina. Tudo com a ajuda do evangelho. Hoje já é um monitor do lugar, ajudando os outros nos seus horários.
  M., que completa 18 anos no próximo mês, está na instituição há 1,4 ano. Caçula de cinco irmãos, ele aponta a morte prematura do pai, como uma das causas de se envolver com as pessoas “erradas”. É o veterano, entre os atuais residentes da Soberana Graça.
  Como vivia na rua, logo foi “convidado” a usar drogas, pois lhe foi prometido que tudo se resolveria. Do consumo, passou a comercializar o produto para poder pagar o vício. Mesmo envolvido, buscou ajuda por iniciativa própria, quando a família já não acreditava mais em sua recuperação. Considera seu nascimento a partir de sua entrada na entidade. Hoje, já sabe tocar bateria e guitarra, tudo aprendido dentro da casa, além de fazer pequenos consertos elétricos e de manutenção. “Se as drogas levassem alguém a algum lugar, não haveria tantas casas de recuperação”, define justificando sua iniciativa.

Envie sua contribuição para:
Rua José Bonifácio, 695, Centro de Santa Bárbara d’Oeste

Se sua organização precisa de auxílio, escreva para a BTCC, iremos analisar todos os casos.